Papudinha

Um escândalo político brasileiro em paródia musical

A semana entregou um roteiro pronto: depois de decisão do STF, Jair Bolsonaro foi transferido para a chamada Papudinha, dentro do Complexo da Papuda. A transferência foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, com a justificativa de adequação do local e suporte, inclusive médico, além de regras de visita. E aí nasce “Papudinha”: uma crônica cantada da rotina registrada em relatórios e despachos que circularam na imprensa, descrevendo caminhada, horários, acompanhamento de saúde, visitas e o dia a dia bem mais “organizado” do que o personagem gostaria de admitir. O mito vira monge, o capitão vira silencioso profissional e a cela vira palco de um teatro involuntário. Na sátira, a piada é simples: quando a política vira liturgia, até bolacha vira “ração patriótica”. A letra cutuca a mistura de moralismo, disciplina performática e paranoia cotidiana, tudo dentro de um quadrado onde a ordem mais repetida é “silêncio”. O humor é leve, mas o recado é direto: o Brasil não aguenta mais live imaginária, artigo divino inventado e continência para a própria culpa.

Assista

A Letra

Senhoras e senhores Direto da ala C da Papuda Com vocês Ele, o ex, o mito, o mudo Bolsonarooo Monásticooo Acorda às seis Come pão com manteiga Faz flexão olhando pro teto Que nem responde, coitado Lê a Bíblia Em voz alta Mas só os versículos Que falam mal de pobre Tenta fazer jejum Mas quebra com bolacha Maria Que ele chama de ração patriótica Papudinha Me dá sua quentinha Me chama de milicinha E bate continência na janelinha Papudinha Me empresta a escovinha Tem culto às quinze E às dezessete tem sessão de ladainha Senhor Jair, silêncio na cela! Mas eu tô calado Então continue Pronto Contou os azulejos Achou treze Jogou água Achou comunismo na torneira Disse que vai fugir Mas só se o colchão votar com ele E se a porta respeitar O artigo cento e trinta e sete da Constituição Divina Papudinha Me dá um indulto com farinha Me chama de capitão Mas sem mexer na marmitinha Papudinha Hoje tem live imaginária Eu falo com a parede E ela responde: Glória a pátria! Ele levanta Flexiona Ora Peida E dorme de novo Papudinha Aqui jaz o silêncio De quem já gritou demais

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