Rio continua lindo (só que não)

Violência e infraestrutura no Rio de Janeiro em sátira

Em 28 de outubro de 2025, o Rio de Janeiro viveu a operação policial mais letal da sua história, com mais de 130 mortos nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha. Cerca de 2.500 agentes foram mobilizados e o governo do estado chamou a ação de "bem-sucedida", apesar das denúncias de execuções e violência contra civis. Ao mesmo tempo, a imagem de “Rio turístico e paradisíaco” segue vendida nas redes entre selfies na praia, funk nos bailes e Cristo Redentor nas fotos. A música ironiza esse contraste brutal entre a beleza de cartão-postal e a realidade das favelas, misturando bossa nova, humor ácido e atualidade trágica.

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A Letra

Rio de Janeiro, que visão legal Sol brilhando, polícia no jornal Gringo na praia postando 'vem cá' Enquanto no morro só dá pá‑pá‑pá Rio continua lindo, só que não Samba com fuzil, selfie com tensão Rio continua quente, tipo verão Mas a previsão do tempo é operação Taca taca taca boom — virou trilha sonora Turista dança funk, morador reza e chora Tem 2 mil polícia pra um churrasquinho E o drone voando igual passarinho Na laje o DJ grita "vai malandra! Mas quem vai mesmo é a ambulância E o Cristo lá no topo de braços abertos Diz: Pô, de novo? Fecha os aeroportos Rio continua lindo, só que não Hoje tem baile e evacuação Rio continua alegre no cartão Mas por trás tem sangue no calçadão Taca taca taca boom — virou trilha sonora Turista dança funk, morador reza e chora Se for pra curtir, vem de colete Porque a paisagem é linda Mas inquieta a mente